(espelho HTTP de gopher://carlos-cdb.top)

Ontem foi meu aniversário, talvez por conta disso eu tenha ficado um pouco
mais reflexivo que o normal. Eu comecei a pensar sobre mim mesmo, quem eu
sou e que impacto estou causando neste mundo, não no sentido de ser alguém
famoso que faz coisas incríveis que ganha rios de dinheiro ou algo do tipo,
mas nas pequenas coisas, nas impressões que eu deixo nas pessoas pelas quais
eu passo diariamente.

Talvez eu tenha me fechado demais para o mundo nos últimos anos, muitos
problemas envolvendo perdas inestimáveis, uma visão muito crítica da relação
das pessoas, com seus pequenos "ajustes sociais" que sempre me soaram como
falsidade ou algo do tipo, como se a única forma de me comunicar de forma
completa fosse sempre tentar emular algo que eu não sou.

Uma coisa que sempre me assombra é o quanto a idade parece algo muito
relativo na minha cabeça. Ao mesmo tempo em que eu vejo que ainda sou novo
e tenho um bom tempo de vida pela frente, eu penso, várias vezes, que já
estou velho demais para tentar fazer qualquer coisa. Isso impacta demais
minha capacidade de fazer algo de forma consistente e evoluir de verdade
nisso.

Acredito que seja comum olhar para o passado e pensar que erramos mais que
acertamos, mas às vezes eu penso se pelo menos eu estava tentando acertar
algo ou simplesmente seguindo o fluxo da forma como eu conseguia. Quando eu
tento olhar para todas as pessoas que conheci, eu vejo suas faces e um pouco
dos seus corações, mas acredito que o contrário (partindo delas para mim) não
deve ser o mesmo. Eu sinto que para a maioria das pessoas eu fui um rosto que
passou por elas e que a maioria sequer conseguiu guardar minha imagem.

Acredito que a maior prova de que isso é real é o fato de que quando eu tento
uma reconexão com essas pessoas as coisas parecem sempre tão estranhas, a
ponto de eu sentir que essas pessoas realmente nunca me viram na vida. Quando
acontece algo desse tipo, eu penso muito sobre o que eu poderia ter feito de
diferente: a forma como eu falava, pensava, agia. Eu sei que tudo isso é
completamente imutável, mas tentar entender é a força que eu sempre busco
para tentar fazer algo de diferente agora no presente, onde as coisas
realmente podem mudar. E se no fim eu não conseguir me reconectar com nenhuma
dessas pessoas, que eu consiga pelo menos começar de novo, agora, fazendo o
que parece certo.

Acredito que tudo isso seja a minha busca por mim mesmo, talvez o maior abraço
que eu esteja esperando agora venha de dentro, não de fora. Eu continuo não
entendendo onde isso realmente pode me levar, e se de fato eu consigo mudar o
curso desse navio solto no oceano sem um leme, mas só me resta pensar sobre
isso. Mais um ano de vida tem um papel importante nisso, talvez aquele meu
lado pessimista de estar tão velho para resolver qualquer coisa, mesmo sendo
uma pessoa nova, esteja começando a gritar não por medo, mas por começar a ver
a realidade mais de perto.

Bem, não sei se isso faz qualquer sentido, se será lido por alguém ou se
realmente me representa em toda minha complexidade, mas foi algo que senti
que deveria escrever.